quarta-feira, 30 de maio de 2012

Israel Klabin: é o momento certo para mudar

 
Foto: Mauricio Melo

"Muitas empresas só fazem de conta que agem em prol do meio ambiente"

ENTREVISTA

Um dos pioneiros no debate sobre a questão ambiental no Brasil, Israel Klabin, diz que a Rio+20 pode ser uma oportunidade para promover o inadiável casamento entre a economia e sustentabilidade.
Gabriele JimenezVeja - 23/05/2012

Boa parte dos compromissos firmados na Eco 92 não foi levada adiante. Como fazer para que isso não se repita na Rio+20? Quero deixar claro que a Eco 92 foi a mais relevante reunião já ocorrida para discutir a questão ambiental. Todos os chefes de estado estiveram presentes e discutiu se um pensamento novo, que não ameaçava ninguém e prometia muito. As conversas transcorreram em nível elevado, mas emperraram na hora da execução por um problema fundamental. O modelo atual de gestão dos governos e órgãos decisórios estava e permanece ultrapassado. Isso impede que se ponham em prática todos os grandes projetos. É preciso modernizar as Nações Unidas e todos os instrumentos sob seu guarda chuva, onde, nas votações, os interesses nacionais muitas vezes se sobrepõem aos internacionais.

Isso quer dizer que não devemos ter muitas expectativas em relação à Rio+20? Veja, a Rio+20 não é uma reunião de tomada de decisões. E um encontro para a formulação de uma nova maneira de pensar o desenvolvimento. Isso me agrada bastante, apesar de muitos acharem que não levará a nada. É preciso ter em mente que nunca vamos conseguir tudo, mas pela primeira vez percebo que estamos saindo da esfera de discussão sobre os efeitos e caminhando para a discussão sobre as causas do problema, com o modelo econômico e político de um lado e a inclusão social do outro. Isso seguramente será discutido na conferência. Sem dúvida, é um avanço. Se teremos apenas mais uma declaração ou caminharemos para a mudança efetiva das políticas públicas, isso é outra questão.

O Brasil e os outros emergentes podem ser os protagonistas na defesa da causa ambiental?
Sem dúvida. Nós não estamos congelados nem fossilizados em modelos políticos e econômicos, como os países desenvolvidos. Estamos num caminho de transição, que seguramente permite rápida adaptação a uma nova economia, a novas relações de troca e até a novas moedas. A China é um problema, pois lá existe um conflito entre o modelo de governo e o modelo econômico. Mas, em geral, os emergentes têm mais condições de assumir a liderança na defesa de um mundo mais sustentável.


É possível haver avanços significativos sem a cooperação dos Estados Unidos?
Acho difícil. Aos Estados Unidos, um grande produtor, consumidor e detentor do poder da indústria de energia fóssil cabe investir pesadamente em inovação. Se eles conseguissem inovar em termos de acesso a energias limpas, o mundo seria completamente diferente. Há muitos parlamentares americanos com quem já conversei que têm posições claramente favoráveis a adaptações da economia às questões ambientais. No entanto, quando a discussão se torna política, eles sao impedidos de promover mudanças pela reação dos blocos parlamentares mais atrasados.

O senhor é um ambientalista de primeira geração. Como vê o avanço dessa questão?
Ela caminhou bastante. Primeiramente, uma série de métodos e sistemas aplicados em outras áreas passou a ser uma ferramenta a serviço também da sustentabilidade. o que não ocorria. O exemplo mais marcante foi o Proto- colo de Kyoto, que estabeleceu um sistema de "pagamencos" por parte dos poluidores pela emissão de carbono.

Houve ainda o aperfeiçoamento dos modelos de produção. A evolução talvez mais relevante ocorreu na opinião pública, que se tomou uma plataforma de combate fundamental na formulação de todas as políticas públicas presentes e futuras. Finalmente, registraram-se progressos específicos importantes nas tecnologias com impacto benéfico sobre a preservação ambiental


A preservação do meio ambiente está bastante disseminada em bairros, cidades, estados. Pode chegar o dia em que ela prescinda de ações do governo central?
A evolução se dará de cima para baixo e de baixo para cima, simultaneamente. Quando comecei a trabalhar com meio ambiente, havia um slogan em inglês que dizia: pense globalmente, aja localmente. É impressionante ver como a nova geração está assimilando essa ideia em seu comportamento. A transferência dos valores de conser- vacão, preservação e ética ambiental é feita por meio da cultura. Por isso, é preciso educar as famílias e os professores, em primeiro lugar. Na esfera federal, temos uma boa ministra do Meio Ambiente, mas ainda falta transpor os obstáculos criados pela inércia de modelos que já estão ultrapassados. A tão falada necessidade de novas áreas de plantio é uma falácia. Precisamos é de tecnologias cada vez mais avançadas para elevar a produtividade nas áreas já existentes. O orçamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, a Embrapa. deveria ser quintuplicado. A inovação é fundamental para ativar os pilares da sustentabilidade.

Leia a entrevista na íntegra, em: http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/desenvolvimento/entrevista-israel-klabin-questao-ambiental-economia-sustentabilidade-685865.shtml?func=1&pag=1&fnt=9pt

Dilma veta 12 pontos do Código Florestal

Ministros da Agricultura, do Desenvolvimento Agrário e do Meio Ambiente falam sobre as principais mudanças do governo federal no Código Florestal. Proposta será divulgada na segunda-feira, quando será publicada Medida Provisória.

O governo federal anunciou hoje que a presidente Dilma Rousseff vetou 12 pontos da proposta de reforma do Código Florestal encaminhada pela Câmara dos Deputados. Foram feitas 32 modificações, sendo que 14 delas recuperam o que o Senado havia proposto antes de devolver o texto para a Câmara; 13 são ajustes de conteúdo e cinco são dispositivos novos.

A lista completa dos artigos vetados e modificados será divulgada apenas na segunda-feira, quando será publicada uma Medida Provisória. Mas durante coletiva de imprensa, logo após reunião com a presidente, alguns ministros falaram sobre as principais mudanças.

Uma das principais diferenças em relação à última versão do texto são regras diferenciadas para pequenos e grandes proprietários rurais. A recuperação de áreas degradadas de APP - Área de Preservação Permanente poderá ser menor do que da lei atual, dependendo do tamanho da propriedade. As terras menores poderão recuperar menos.

"Todos terão que contribuir para a preservação de APPs e essa recomposição vai levar em consideração o tamanho da propriedade. É bastante conhecido o princípio de justiça tributária. Fazendo um trocadilho, temos agora o princípio de justiça ripária. Quem tem menos área de terra vai recompor menos e quem tem mais vai recompor mais", disse o ministro Pepe Vargas, do Desenvolvimento Agrário.

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, anunciou as novas regras de recomposição das propriedades rurais brasileiras. Foi mantida a obrigação atual de preservação de Reserva Legal - 80% para propriedades na Amazônia, 35% no Cerrado e 20% nos demais biomas. Além disso, foi reintroduzido no texto enviado pela Câmara que nascentes, veredas, áreas úmidas, pantanais, topos de morros e encostas são APPs.

"Proteger topo de morro é estratégico para a agricultura, para segurar sedimento e recarga de recursos hídricos, garantindo a produção sustentável dos alimentos", afirmou Izabella Teixeira. A ministra contou que o governo recebeu a contribuição técnica de diversos especialistas para fazer a sua proposta.

Outro ponto recuperado no texto foi o prazo de cinco anos para os proprietários irregulares se cadastrarem no CAR - Cadastro Ambiental Rural. "Quem não fizer o cadastro não terá acesso a crédito público. Para ter benefícios - como financiamento para recuperação ambiental - o agricultor tem que se cadastrar", explicou Teixeira. Com este cadastro, os agricultores podem ter a multa suspensa até que recuperem suas áreas degradadas. Então, estarão isentos de multa.

O Código proposto pelo governo federal também define o que é APP tanto nas áreas rurais como nas urbanas. A presidente Dilma Rousseff vetou dois parágrafos que permitiam que os municípios definissem o que é APP.

Para o ministro Mendes Ribeiro, da Agricultura, o novo texto não ameaça a produção de alimentos no país. "O produtor terá clareza de que pode continuar produzindo alimentos para o mundo com a certeza de que é possível produzir guardando o meio ambiente. Esse não é o código dos ambientalistas ou ruralistas, mas daqueles que têm bom senso e acreditam que o Brasil pode produzir com respeito ao meio ambiente", declarou.

Segundo dados do censo agropecuário, citados pelo ministro Pepe, 70% dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros são produzidos pela agricultura familiar - com propriedade de até quatro módulos fiscais. Os maiores produtores abastecem 30% do mercado interno e 70% do externo. "Não temos a menor dúvida de que isso será preservado. As regras garantem o papel preponderante do Brasil na escala internacional", disse.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Entendendo a Rio+20 (Institucional)


Saiba mais:




Rio+20: Eventos abertos ao público


Na reta final para a Rio+20, a capital do mundo será o Rio. Dezenas de seminários, exposições e encontros movimentarão a cidade. A conferência propriamente dita acontece entre os dias 20 e 22 de junho, mas desde já existem atividades para quem quer participar ou se informar sobre esse grande debate que ocorrerá sob os olhos do planeta. A prefeitura do Rio antecipando tal movimento, já enviou à câmara municipal projeto de lei para decretar feriado nos dias 20, 21 e 22 de junho. O objetivo é aliviar o trânsito na cidade.

Mesmo para quem não se credenciou a tempo para a Conferência (o prazo para a sociedade civil expirou no dia 20 de janeiro) há opções que talvez sejam até mais atraentes do que as enfadonhas e longuíssimas reuniões de plenário no Riocentro. Preparamos uma lista com os principais eventos, com ênfase naqueles abertos e gratuitos.

A Terra vista do céuInaugurada que no dia 27 de abril, essa exposição, localizada na Cinelândia, Centro do Rio, é considerada o pontapé inicial da Rio+20 e reúne 130 imagens do fotógrafo Yann Arthus-Bertrand. Ficará exposta até o dia 24 de junho. O acervo captura belas imagens da terra vista de cima, por helicóptero e até balão. Gratuito.

Cúpula dos Povos da Zona Oeste na Rio+20Este encontro é preparatório para a grande Cúpula dos Povos, que ocorrerá no Aterro (Parque do Flamengo, veja abaixo). Essa rodada será na Lona Cultural Elza Osborne, no bairro de Campo Grande, nos dias 18 e 19 de maio. Gratuito.

Cúpula dos povos Rio+20Entre os dias 15 e 23 de junho, acontecerá um dos mais esperados acontecimentos em torno da Conferência: a Cúpula dos Povos na Rio+20: por Justiça Social e Ambiental. Como em 1992, ela será realizada no Parque do Flamengo. O evento mobilizará 150 organizações e movimentos sociais e tem tantos eventos, palestras e exposições que merece uma lista à parte. Por enquanto, dê uma olhada no bem elaborado site oficial, e anote em sua agenda as suas atrações preferidas. Aberto e gratuito.

Dia Mundial do Meio Ambiente/Semana do Meio AmbienteCom o tema “Economia Verde: Ela te inclui?”, o Dia Mundial do Meio Ambiente (WED) de 2012, que acontece sempre no dia 5 de junho, será sediado no Brasil. A semana do meio ambiente será preenchida com eventos em todo o país, entre os dias 4 e 10 de junho. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) criou um site em português sobre o WED, onde se pode ter informações sobre as comemorações em todo o Brasil.

TEDx Rio+20Nos dias 11 e 12 de junho, o TEDxRio+20 reúne no Forte de Copacabana, pessoas de diversas áreas do saber. O tema do encontro é o “Poder Humano”. O evento é em parceria com a ONU.
O evento é gratuito, mas como as vagas são limitadas, a seleção da audiência será feita por um sorteio realizado pela organização do evento. Inscrições e mais informações, no site do evento.

O local é o Forte de Copacabana, de 9h às 19h no dia 11/06/2012 e das 9h às 13h no dia 12/06/2012. Segundo a organização, os horários estão sujeitos à alteração.

Fórum de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Sustentável.O Fórum de Ciência acontecerá entre os dias 11 a 15 de junho, na PUC-RJ. O evento discutirá questões-chave relacionadas a ciência, tecnologia e inovação no âmbito do desenvolvimento sustentável.

A participação é gratuita para todos ao longo dos cinco dias. O evento sempre começa às 9h da manhã e vai até 20h. O evento é aberto, mas a organização pede que os participantes se inscrevam formalmente para que possa planejar a acomodação de todos. O endereço é Rua Marquês de São Vicente, 225, Gávea, Rio de Janeiro.

Mais informações, no site do evento ou da própria PUC.

Global Town Hall (Encontro Global dos Municípios na Rio+20)O Global Town Hall (Encontro Global dos Municípios na Rio+20) será realizado entre os dias 18 e 22 de junho. Prefeitos e funcionários de governos locais de todo o mundo abordarão como podem contribuir da melhor forma para proteger e melhorar a governança de bens públicos globais. O encontro será aberto apenas para quem está inscrito na Conferência Rio+20, pois o local do encontro da Global Town Hall será localizado em uma área restrita da ONU: no Parque dos Atletas, na Barra.

Prefeitos, empresas e líderes políticos poderão participar, caso tenham se inscrito ─ prazo até esse quinta, 10 de maio ─ na Rio+20. Mais informações, entre em contato com Francesca Schraffl, coordenadora do Global Town Hall, tel. +49 (228) 976-299-50, francesca.schraffl@iclei.org
Fonte: oeco Daniele Bragança
   

quarta-feira, 9 de maio de 2012

UFRJ decide manter o Enem como único sistema de seleção

RIO - O Conselho Universitário da UFRJ (Consuni) decidiu manter exclusivamente a prova do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) e o Sistema de Seleção Unificado (SiSU) para o ingresso nos cursos de graduação da universidade, preservando o procedimento da etapa de Teste de Habilitação Específica (THE) para os cursos que o utilizam. O atual processo não sofrerá modificações nos próximos dois concursos.Conforme O GLOBO havia noticiado na sexta-feira, o assunto foi questionado com base no relatório da Comissão de Acompanhamento do Acesso aos Cursos de Graduação que alegam que o exame do MEC não cumpre o objetivo de democratizar o acesso ao ensino superior.

Quanto as cotas, A UFRJ continuará destinando 30% das vagas oferecidas em cada curso a candidatos que tenham cursado integralmente o ensino médio em escolas dos sistemas públicos de ensino e que apresentem renda familiar per capita de até um salário mínimo nacional vigente. De acordo com o reitor Carlos Antonio Levi da Conceição, a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) é importante, mas considera que há um compromisso mais urgente com o atendimento às carências sociais de uma forma mais ampla. E o que se pode fazer é priorizar as cotas sociais.
- A política de ação afirmativa da UFRJ é muito mais abrangente. Ela não só atende o caráter de raça, mas também o social - diz o reitor.

Rodrigo Gomes - O Globo

sexta-feira, 4 de maio de 2012

História em ruínas

Relatório destaca imóveis de alta relevância cultural que estão em péssimo estado. Preservá-los é mais que uma reverência ao passado: é uma ótima aposta no futuro.
Letícia Pimenta
Veja Rio - 28/04/2012


Entre camelôs e pedestres que compõem a caótica paisagem da Rua Uruguaiana, um valioso tesouro se deteriora a olhos vistos em um dos trechos mais movimentados do centro da cidade. Construída no começo do século XVIII por iniciativa de uma irmandade de negros e pardos, a Igreja do Rosário exibe há anos aparência degradante. Sua parte mais visível, a fachada, está descascada e cheia de mofo. O interior, porém, parece ainda pior. Na semana passada, a administração interditou o acesso ao Museu do Negro, que funciona dentro do templo, após pedaços de reboco despencarem do teto, fato testemunhado pela equipe de VEJA RIO. A má conservação, que já chamaria atenção se fosse num imóvel comum, torna-se ainda mais grave por atingir um endereço histórico, que abrigou o Senado da Câmara Municipal, órgão que funcionou no início do século XIX, e de onde saiu a comitiva que impeliu dom Pedro I a proclamar o Dia do Fico. Um relatório feito pela Comissão de Patrimônio Cultural da Câmara dos Vereadores expõe em detalhes a precariedade da Igreja do Rosário e de outras doze edificações cariocas, incluindo palacetes, templos e um parque (veja o quadro), a maioria deles tombada. "O estado brasileiro é mau gestor de seu imobiliário, infelizmente uma característica nossa", reconhece Washington Fajardo, subsecretário municipal de Patrimônio Cultural.

Nenhuma cidade do país reúne tantas relíquias arquitetônicas quanto o Rio de Janeiro, um legado dos tempos de capital da colônia e do império. No entanto, o manancial de histórias gloriosas parece não sensibilizar seus proprietários quanto à importância da preservação. Em regra, medidas só são tomadas em situações emergenciais. É o caso do Automóvel Club do Brasil, instalado em um casarão neoclássico na Rua do Passeio que era frequentado pela família imperial. Há três semanas, ele foi interditado pela Defesa Civil devido ao risco de desabamento da marquise. Arrematado pela prefeitura em 2004, o imóvel esteve cotado para abrigar o Museu da Imagem e do Som, a Casa do Samba e uma representação da Organização das Nações Unidas (ONU). Nenhum dos projetos foi adiante. Agora, a prefeitura busca um parceiro na iniciativa privada para ser concessionário do espaço.

Dentro ou fora do serviço público, a falta de verba costuma ser a explicação para toda espécie de incompetência. Portanto, surpreende saber que, em alguns casos, o imobilismo não resulta de um problema orçamentário. Três endereços citados no relatório ilustram essa circunstância. Localizado na Avenida Presidente Vargas, o Hospital Escola São Francisco de Assis, pertencente à UFRJ, parece uma construção mal-assombrada, tal o seu abandono. Nos últimos dois anos, a instituição conseguiu um aporte de 11 milhões de reais. Até agora, em vão. Três editais foram lançados, mas as duas empresas que se candidataram não estavam habilitadas para reformar o edifício, que teve sua pedra fundamental lançada pela princesa Isabel. Também no Centro, a Igreja do Santíssimo Sacramento, na Avenida Passos, vive há dois anos a expectativa de uma restauração completa, orçada em 30 milhões de reais e sob o patrocínio do BNDES. O senão: a condição para o início da obra é que a irmandade responsável pela igreja comprove ter condições de bancar sua manutenção após a reforma. Mas o provedor se recusa a abrir as contas. Na Zona Sul, o Jardim Botânico trava um arrastado embate na Justiça contra os moradores das 600 casas erguidas irregularmente no local. Essa área, equivalente a 10% do total de 144 hectares do parque, poderia ser utilizada para plantio. "Temos recursos para aumentar nossa capacidade de armazenamento, mas nos falta espaço", lamenta Guido Gelli, diretor de ambiente e tecnologia do Jardim Botânico.

Preservar prédios de relevância cultural é não só um gesto de reverência ao passado, como também de visão do futuro. Trata-se de um cuidado fundamental para elevar a autoestima da cidade e revitalizá-la. Um bom exemplo é o Centro Cultural Banco do Brasil, que deu nova vida a seu entorno e virou ponto turístico. Duas edificações listadas pela Câmara dos Vereadores têm tudo para seguir o mesmo caminho. Depois de anos padecendo com a falta de manutenção, o Palácio Gustavo Capanema, no Centro, será completamente revitalizado a partir do segundo semestre. Perto dali, o Solar do Visconde do Rio Seco, na Praça Tiradentes, já está em obras para acolher um centro de referência de artesanato. Fica a torcida para que esses bons exemplos sejam replicados pela cidade. Só assim ela continuará a ostentar o título de principal guardiã do passado brasileiro.

Frota de país desenvolvido, qualidade de vida nem tanto

Grandes cidades brasileiras se aproximam do número de veículos por pessoa dos EUA e da Alemanha, mas trânsito e poluição deixam muito a desejar
POR João Ricardo Gonçalves

Rio - O Brasil chegou à marca de um carro a cada cinco habitantes, mostra levantamento do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças) divulgado este mês. Várias cidades já se aproximam da realidade de países como EUA e Alemanha, que têm um veículo a cada duas pessoas. Mas especialistas em mobilidade urbana questionam se há motivo para comemorar.

Professor de Engenharia do Transporte pela Uerj, Luiz de Oliveira Guerra reconhece que o índice significa geração de empregos e mudanças da dinâmica da economia, mas chama a atenção para o fato de que isso não necessariamente melhora a qualidade de vida, principalmente pela sobrecarga no trânsito e no meio ambiente.

Efeito estufa
“Como a capacidade do sistema viário brasileiro não evolui na proporção da entrada de novos veículos no mercado, a tendência é que aumente o número de congestionamentos. E existe a consequência do lado ambiental, com maior emissão de gases do efeito estufa, como o monóxido de carbono”, diz.

A situação é mais preocupante nos grandes centros urbanos e, quando o assunto é o trânsito, especialmente no Rio. Semana passada, o IBGE colocou o estado como o lugar do Brasil onde se demora mais tempo para chegar ao trabalho: 7 milhões de pessoas levam mais de uma hora para cumprir o trajeto. Ano passado, estudo do Rio Como Vamos já tinha apontado demora média de 125 minutos.

Para o professor, o remédio para males do aumento da taxa de veículos passaria pela mudança na matriz de transportes, com mais investimentos no sistema público. “O carro pode ser usado de forma racional: para passear no final de semana, por exemplo”, opina.

Veículos velhos poluem mais

O levantamento do Sindipeças revelou ainda que a maior parte da frota brasileira — 61% — tem idade maior do que os 5 anos considerados ideais para evitar maiores emissões de efeito estufa. Ela tem diminuido gradativamente, porém. Em 1995, a idade média da frota brasileira era de 10 anos e 2 meses. Em 2010, caiu para 9 anos e 4 meses. E, agora, chegou aos 8 anos e 8 meses. Vale lembrar que a manutenção correta também evita os excessos de emissões.

Os números do Sindipeças são diferentes dos divulgados pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). Geralmente, os dados do Denatran indicam médias maiores da proporção entre habitantes e veículos, pois não levam em conta a “taxa de mortalidade” – carros que deixam de circular por vários motivos, como acidente com perda total e desmanche.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Docência, uma profissão estagnada

Sem planos de carreira estruturados, não há perspectivas de crescimento profissional e a atividade docente se torna pouco atrativa

Faltam regras claras, formação consistente e política salarial

Estados e municípios têm autonomia para criar e gerir seus planos de carreira, mas o Ministério da Educação (MEC) por meio do Plano de Ações Articuladas (PAR) vem, desde 2007, auxiliando os gestores locais na criação e implementação deles. Para que essas ações tenham resultado, no entanto, é preciso que as propostas contemplem os degraus que o docente pode alcançar e o que deve fazer para isso - o que nem sempre acontece. Propostas consistentes asseguram promoções e progressões funcionais mediante regras claras e meritocráticas. Profissionais com mais anos de estudo, mais tempo na rede e com bom desempenho em avaliações ascendem mais rapidamente - e têm retorno financeiro com isso. Ao alcançar novos patamares na carreira, eles também se tornam aptos a migrar para outras áreas dentro da estrutura da Educação, como os cargos de gestão na escola, na diretoria de ensino etc.

Para viabilizar essa subida, há que se criar degraus mais sólidos de formação. Atualmente, existem algumas iniciativas do Ministério da Educação (MEC) em curso. No campo da formação inicial, destaca-se o estímulo à graduação por meio de bolsas de estudos do Programa Universidade para Todos (Prouni). No que se refere à formação continuada, existem programas criados em parceria com estados e municípios - como o Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (Parfor), que apresentam resultados interessantes, mas ainda não alcançam grande escala. Há também a promessa do MEC de tornar gratuitos os mestrados e doutorados em Educação, que ainda não está aprovada. Isso, no entanto, não é suficiente. É necessário pensar a capacitação docente em nível nacional.

Outro ponto fundamental é a política de remuneração. A questão é, com certeza, a mais complicada atualmente. Entre as metas do PNE, há uma que propõe aproximar o rendimento médio do profissional do Magistério com mais de 11 anos de escolaridade à média do salário de pessoas com os mesmos anos de estudo. Nada mais justo, visto que a docência é a base para a formação do país. Há, no entanto, diversos entraves para que a medida seja efetivada. A lei do piso nacional foi um avanço importante, mas o salário de 1.187,14 reais dos professores para uma jornada de 40 horas semanais não é, de forma alguma, atraente e equiparável a outros profissionais de igual especialização.

E mesmo esse valor tem sido firmemente contestado por diversas redes, que alegam falta de verbas para o pagamento dos professores. É preciso garantir, então, que seja colocado em prática o artigo 211 da Constituição Federal de 1988, que determina que o governo federal colabore técnica e financeiramente com estados e municípios para a consagração do direito à Educação. Essa ajuda se dá por meio da complementação orçamentária da União às redes que comprovam a falta de recursos.

A discussão sobre orçamento precisa se tornar mais firme a partir do próximo ano. Isso porque, com o reajuste no piso - que tem a previsão de chegar a 1.384 reais -, existe o sério risco de, para cumprir a lei, estados e municípios achatarem os planos de carreira. Sem novos recursos, pode haver reajuste apenas para quem entra na rede, diminuindo os progressos ao longo do tempo. Com isso, em vez de uma carreira com vários degraus para subir, o que o docente vai continuar vendo é uma profissão em que se anda, mas não se sai do lugar.

57% É o percentual de municípios brasileiros que ainda não têm planos de carreira estruturados para os docentes. "Fonte MEC"
Publicado em NOVA ESCOLA Edição 247, Novembro 2011. Título original: Uma profissão estagnada

O que esperar da Rio+20

Marcada para junho de 2012, no Rio de Janeiro, a Rio+20 - Conferência das Nações Unidas em Desenvolvimento Sustentável já vem provocando encontros de especialistas, ONGs e representantes da sociedade, desde o ano passado. De forma geral, espera-se que as decisões tomadas por lá sejam mais que um balanço dos últimos 20 anos que a separam da Rio 92, marco na história socioambiental mundial que resultou numa série de documentos importantes, como a Agenda 21, e também nas Convenções sobre Clima e Diversidade Biológica. Veja o que dizem os especialistas

Sucena Shkrada Resk - Edição: Mônica Nunes
15/02/2011 - Planeta Sustentável


Duas décadas se passaram, desde a realização da Conferência das Nações Unidas sobre  Ambiente e Desenvolvimento, mais conhecida por Cúpula da Terra e ECO ou Rio 92  considerada a mais importante conferência ambiental mundial até hoje. Mesmo depois de tanto tempo, o que se constata é que há muito a fazer na agenda socioambiental mundial, proposta durante o encontro. Com o objetivo inicial de se fazer um balanço de realizações e desafios, neste período, o Brasil sediará novamente o encontro organizado pela ONU - Organização das Nações Unidas, marcado para 4 a 6 de junho de 2012 (a edição de 92 teve 15 dias). Será a Rio+20 - Conferência das Nações Unidas em Desenvolvimento Sustentável.
Esperar grandes resoluções da conferência ainda é prematuro, segundo representantes da organização brasileira e especialistas ouvidos pela Planeta Sustentável. Por outro lado, não são descartados acordos políticos, que possam readequar os rumos das ações atreladas aos principais documentos originados à época, tais como:

- Declaração do Rio de Janeiro
- Agenda 21
- Declaração de Princípios sobre as Florestas
- Convenção sobre Mudança do Clima
- Convenção sobre a Diversidade Biológica 

No caso das convenções, as repercussões a serem analisadas se estendem aos processos das COPs – Conferências das Partes, sendo que as mais recentes foram respectivamente a COP10, de Nagoya, em 2010 (Diversidade Biológica) e CO16 , no México, sobre o Clima.
A Rio 92 foi um momento de conjunção política muito forte, com contexto que favoreceu os resultados alcançados. Embora haja dificuldade de se implementar as propostas, o evento é até hoje referência dos processos políticos e isso não está perdido. Os tratados e convenções são bons mas faltam ser cumpridos. A Rio+20 se propõe a fazer o balanço dessas lacunas”, destaca Fernando Lyrio, chefe da Assessoria de Assuntos Internacionais do MMA.
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Ele diz que, por um lado, há um certo ceticismo em torno da eficiência do sistema multilateral da ONU, devido a poucos resultados eficientes ao longo dos anos. Mas qual seria a alternativa a isso? “Não fazer nada seria inviável”, avalia.
Lyrio explica que a proposta da Rio+20 foi brasileira, com o objetivo de incorporar novos temas, além de se fazer um diagnóstico do que já foi realizado. “Na linha histórica, é importante recordar que antes, a primeira grande conferência foi em Estocolmo, em 72, e depois da Rio 92, houve a Rio+10 , em Johannesburgo, na África do Sul”.
Degradação florestal na Amazônia Legal caiu 87%

Boletim divulgado pelo Imazon apontou que a degradação florestal na Amazônia Legal teve uma redução de 87% em março deste ano, em comparação a 2011. O desmatamento, por outro lado, aumentou 15%.

Débora Spitzcovsky
Planeta Sustentável - 19/04/2012

O Imazon - Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia divulgou nesta quinta-feira, 19/04, o boletim do SAD - Sistema de Alerta de Desmatamento da Amazônia Legal referente ao mês março de 2012, que apontou que houve redução de 87% nas práticas que causam degradação florestal na região.

Neste ano, 40 km² de mata da Amazônia Legal - sobretudo do Mato Grosso - foram comprometidos por conta de atividades insustentáveis, como a exploração ilegal da madeira, que provocam a degradação da floresta. Em março de 2011, foram 298 km².

A degradação florestal acumulada no período de agosto do ano passado a março de 2012 também apresentou redução: foram mais de 2500 km² a menos, em relação ao período anterior, o que caracteriza uma diminuição de cerca de 62%.

AS MÁS NOTÍCIAS DE MARÇO O desmatamento da Amazônia Legal, por sua vez, apresentou aumentou em março de 2012. O SAD detectou 53 km² de floresta desmatada na região, sobretudo no Estado do Mato Grosso. Um aumento de cerca de 15%, em relação ao mesmo mês do ano passado, quando o boletim do Imazon registrou 46 km² de desmatamento.

No entanto, no período acumulativo, de agosto de 2011 a março de 2012, o fenômeno se inverteu. 760 km² de floresta foram desmatados, o que representa uma redução de 22%, em comparação com o período anterior.

O Imazon alertou que os dados do SAD, referentes a março de 2012, podem estar subestimados por conta da cobertura de nuvens na Amazônia Legal. O fenômeno impediu o monitoramento em cerca de 74% da área florestal da região.


James Lovelock admite: 'Fui alarmista sobre o clima'
Cientista que pintou um dos cenários mais radicais para as mudanças climáticas prepara livro onde diz que o aquecimento global está mais lento do que previa.
Vanessa Barbosa
Exame.com - 24/04/2012


Aos 92 anos, James Lovelock, um dos cientistas pensadores mais influentes em meio ambiente - e um dos mais apocalípticos sobre os efeitos das mudanças climáticas e do aquecimento global - está revendo suas ideias. Em entrevista ao site MSNBC, ele admitiu ter sido "alarmista" em suas previsões.

Famoso por propôr a hipótese de Gaia, também conhecida como hipótese biogeoquímica, segundo a qual a Terra é viva e pode ser considerada como um gigantesco superorganismo, o britânico prepara um novo livro onde confessa que as mudanças climáticas estão, sim, em curso, mas de forma muito mais lenta do que previa no passado.

"Extrapolei, fui longe demais", diz o cientista, para quem o clima está realizando truques habituais. "Não há nada realmente acontecendo ainda. Nós deveríamos estar a meio caminho em direção a um mundo em estado de 'fritamento' agora", disse ele.

De acordo com a reportagem, em sua nova obra, prevista para ser lançada em 2013, Lovelock vai abordar possíveis caminhos para humanidade agir a fim de ajudar a regular os sistemas naturais da Terra.

A publicação será a terceira de uma trilogia que conta com a "Vingança de Gaia", sobre como o planeta está se tornando hostil aos seres humanos e como poderíamos sobreviver, e "Gaia: Alerta Final".

Na entrevista, Lovelock também apontou Al Gore com seu documentário "Uma Verdade Inconveniente" e Tim Flannery , autor do livro "Os gestores de tempo" como outros exemplos de pensadores "alarmistas" em suas previsões do futuro.